Textos

Sou diferente, e agora?

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Desde que me conheço por gente, eu sou a famosa “diferentona”. Sempre foi assim; no colégio, na igreja, no cursinho de inglês, no ballet, em qualquer lugar que eu vá, sempre serei diferente. Às vezes, eu olhava para o meu grupinho de amizade e chegava a conclusão de que eu era uma verdadeira aberração. Pelo menos, era isso que as pessoas me faziam achar que eu era; e eu, inocentemente, acreditava.
Vamos ser sinceros, ultimamente as pessoas não costumam respeitar o próximo. Se respeitassem, garanto que o mundo seria um lugar melhor, e eu não estaria aqui, perdendo meu precioso tempo, escrevendo um texto sobre o quão ruim pode ser sentir na própria pele o que é a rejeição.
Rejeição. Palavra simples. 8 letras. 3 sílabas. 5 vogais e 3 consoantes. Seria ótimo se pudéssemos defini-la dessa maneira. Mas, a real definição dessa palavra é outra, completamente diferente e dolorosa.
Rejeitar significa atirar, arremessar, jogar fora; algo que fazemos quando não gostamos mais de alguma coisa ou quando algo deixa de ter uma utilidade. Fazemos isso com lixo, objetos quebrados, brinquedos que não servirão mais para nenhuma criança. E qual o problema nisso? Nenhum, realmente. O grande problema é quando passamos a fazer isso com pessoas, de carne e osso, alma e sentimento. Seja lá qual for o motivo, não devemos jogar ninguém fora. Não temos esse direito.
Eu era excluída por conta da minha personalidade. Desde pequena, eu tenho gostos um tanto peculiares. Nunca fui fã de coisas da minha época. Sempre gostei muito de músicas do século passado, livros de qualquer literatura, principalmente a inglesa, vestidos longos e rodados como os de uma princesa. E passei minha infância inteira lendo, ouvindo Michael Jackson e tendo um vocabulário um tanto extenso e estranho para minha pouca idade. Tinha várias bonecas, mas nunca brinquei muito com elas. Minha brincadeira favorita era escrever, irônico, não? Só por esses motivos, eu já era excluída. Era taxada de esquisita e tantas outras coisas. Mas, para piorar a situação, eu passei a expor minhas opiniões sobre política e história mundial, algo que ninguém da minha idade compreendia. O tempo foi passando e eu acabei descobrindo que uma mente de uma senhora de 60 anos está presa no corpo de uma jovem de 18, mas isso não significa que as pessoas têm o direito de me excluir de seus círculos sociais ou me apelidar de estranha, esquisita, como se eu não fosse absolutamente nada. Eu tenho sentimentos, como qualquer outro ser humano, mesmo que meus pensamentos pareçam ser do século XIX.
Mas, o que realmente me machuca, é saber que as pessoas não rejeitam as outras apenas nesse caso. Elas rejeitam toda e qualquer pessoa que não seja igual a elas. Basta ser diferente em algum sentido que já se acham no direito de te privar de toda uma vida social.
É como se a sociedade tivesse estabelecido um padrão e se você, por algum motivo, não se encaixar nele, não pode ter uma vida social. Acredito que se pudessem, trancariam todos aqueles a quem eles julgam ser “estranhos” em um foguete e os mandariam para a galáxia mais distante da Via Láctea.
Por muito tempo, fui considerada um alienígena. E sei que nesse exato momento, milhares de pessoas ao redor do mundo estão se sentindo da mesma maneira, por conta de diversos assuntos. Nesse exato momento, milhares de pessoas pensam em dar um fim na própria vida por conta do bullying. Sofrem por se sentirem de alguma forma, excluídas da sociedade e acabam se entregando ao álcool, drogas, depressão.
Mas, o que eu quero mostrar a cada um que está lendo esse texto, é que não precisamos da aprovação de ninguém. Temos que valorizar quem realmente somos; nossa alma, nossos sonhos, hábitos, opções, religiões, modo de se vestir. Não podemos acreditar no que eles dizem sobre nós. Não podemos deixar que eles ditem as regras. Não podemos nos depreciar. Seja lá qual for seu problema, você não é uma aberração, você não é um alienígena, muito pelo contrário. Você e eu, estamos aqui na terra para cumprir um lindo propósito, e temos todo o direto de deixar nosso legado, ajudando pessoas e acima de tudo, lutando para sermos felizes. Fazendo a diferença.
Ser diferente não precisa ser necessariamente  algo ruim. Se ser diferente é não me deixar levar pelas futilidades de uma humanidade totalmente hipócrita e maculada, ótimo, eu sou diferente e tenho muito orgulho disso. Se todos fossem iguais, o mundo seria muito chato. Não mude sua personalidade para agradar ninguém. Nem sua aparência, seu modo de se vestir, falar ou pensar. Você é perfeita (o) exatamente do jeito que é. Se alguém tiver que te amar, terá que amar através de sua verdadeira essência. Mas, antes de procurar o amor em alguém, compreenda o seu interior, aceite-se como você é, e só então estará devidamente preparado (a) para dar e receber amor.
Ame o próximo. Aceite o próximo. Apaixone-se por você mesma (o) a cada manhã. Perceba o quão bela e curta é a vida, e viva intensamente, sem se importar com o que os outros irão pensar. Os outros, são apenas os outros, mas você, vale mais do que um diamante. Valorize-se!
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2 comentários em “Sou diferente, e agora?

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