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Eu me basto

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Se você não mudar esse seu jeito, vai terminar sozinha com vários gatos” é essa a frase que eu mais escuto (em tom de ameaça) quando exteriorizo meus pensamentos acerca de relacionamentos afetivos e o que eu espero (ou não espero) deles.

Pra começar, gostaria de compartilhar minha indignação: em pleno século XXI as pessoas ainda acreditam que devemos casar e constituir família para que no futuro tenhamos alguém do nosso lado. É esse medo da solidão que tem ocasionado o aumento no número de divórcios, pois quando o motivo de um matrimônio não é o amor é quase que impossível que ele dure.

Ah, mas um dia ela vai conhecer alguém que vai domar essa personalidade dela” pera aí, como é que é? Essa é quem sou, jamais mudaria por nada e por ninguém, jamais me permitiria ser moldada para corresponder às expectativas de um homem ou de qualquer outra pessoa. Quem gostar de mim vai ter que gostar do pacote completo, com qualidades e defeitos.

Tenho várias prioridades na minha vida e o casamento não é uma delas. Isso não significa que eu não vá me casar e sim que eu não vivo como se apenas isso importasse. Se acontecer beleza, caso contrário, não serei a pessoa mais miserável do mundo.

Eu me basto. Tenho sonhos, sonhos gigantes. Tenho um mundo inteiro para viajar, diversas pessoas para conhecer. Não querer me envolver num relacionamento apenas por conveniência não significa que eu vá terminar sozinha, que eu seja egoísta ou até mesmo imatura, eu apenas quero ter o direito de viver a minha vida sem me sentir pré-julgada por alguém que ainda acha que o casamento é a chave da felicidade; existem várias outras maneiras de encontra-la, e eu quero me certificar de que conhecerei todas.
Se eu me casar, que seja por amor; um sentimento tão forte e incondicional que me faça deixar de lado toda essa minha racionalidade, se for menor do que isso, não é amor, não merece sacrifícios.

Mas, se eu terminar, de fato, solteira e com vários gatos, afirmo, desde já, que são meus animais preferidos e que a companhia deles vale mais do que a de 1000 humanos. E ah, seria maravilhoso desfrutar da minha própria companhia por toda a eternidade; até que a morte (me) separe.

 

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Um comentário em “Eu me basto

  1. É triste pensar que são poucas as mulheres com o seu discernimento. Se o tivessem, livrar-se-iam das ilusões que a sociedade coloca em seus ombros, vendendo um ideal de felicidade plena com casamento e maternidade, enquanto a realidade de servilismo, de perda da própria identidade, de roubo da própria vida, permanece escondida com a ajuda da mídia. As mulheres poderiam ser muito mais do que se propõem a ser, dariam menos importância a um corpo que as coloca como produtos a serem consumidos numa vitrine de loja masculina e valorizariam mais o próprio cérebro. Uma mulher jamais deveria se permitir “domar”, palavra infeliz dita por alguns e que reflete o grau de precariedade intelectual que possuem. Excelente texto! Viver com gatos pode ser maravilhoso!

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