Textos

21 anos de idade, séculos de mente

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Alguns dizem que estou na “flor da idade”. A internet está abarrotada de textos clichês falando sobre as intensas alegrias proporcionadas pelos vinte e poucos anos. Mas, para mim, é um meio-termo: não sou mais menina, mas ainda não sou mulher. Apesar de ter uma certa bagagem, adquirida de uma forma pouco convencional, tenho plena consciência de que ainda tenho muito chão pela frente, caminhos pelos quais eu ainda não passei, mas terei de trilhar. Confesso que acho toda essa situação um tanto quanto assustadora, ainda ontem eu estava entretida com brinquedos e cirandas, e do dia para noite tudo mudou; inesperadamente, fui compelida a enxergar o mundo com um olhar objetivo, realístico. Foi estranho, insano, estarrecedor. Ainda existem momentos em que o famigerado desespero bate à minha porta, seguido de um sentimento de frustração. A vida adulta não é como eu imaginei. Nada aconteceu como eu planejei.
Cresci e descobri que contos de fada não existem, que nos momentos de aflição não aparece um herói de capa vermelha para me salvar, que nem sempre vou conseguir vencer minhas batalhas, que, muitas vezes, minhas lágrimas serão as únicas companhias que terei em uma madrugada fria, que pessoas partem e ainda assim, é necessário seguir em frente, não por vontade própria, mas porque a vida nos obriga, sem trégua, sem curva, ela é uma linha reta, contínua. Não existe um botão para “pausar”. Não existe mágica. Encarar a realidade é como cair de cara em um chão de concreto: dói, sangra, deixa marcas que vão muito além da pele, se fixam na alma. Ninguém me avisou que seria assim, tão difícil. Se me dessem a opção de voltar atrás e congelar o tempo, assim eu faria.
Mas, não tem volta, não dá para rebobinar, cá estou eu. Cheguei aonde jamais imaginei que chegaria, superei dores que pensei que me matariam. Quando estamos submersos na angústia, é difícil enxergar o amanhã; eu pensava que não iria aguentar, que não iria sobreviver, mas, para minha surpresa, sobrevivi. Mesmo que as coisas tenham fugido dos meus planos, eu ainda estou aqui. Não estou atrasada, nem estagnada. A verdade é que eu estou exatamente aonde eu devo estar, respeitando meu tempo, meu amadurecimento. Esperando minha hora de florescer, de desabrochar.
Hoje, um novo ciclo se inicia. Ao meu passado, deixo um agradecimento por cada página da minha história, cada experiência (boa ou/e ruim) que construiu meu caráter, moldou minha personalidade e me fez ser quem sou. Faria tudo de novo, sem alterar uma vírgula. Sou resultado do que vivi, sou a esperança (re)nascida.

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8 comentários em “21 anos de idade, séculos de mente

    1. Obrigada pelo comentário! Também vivi algumas coisas de gente grande, mas foi no início da adolescência, por isso tinha grandes espectativas para a vida adulta, talvez na esperança de superar meus traumas e cicatrizar as feridas… mas, ainda que as coisas não tenham acontecido exatamente como planejei, estou tentando ser otimista sobre o que ainda está por vir. Eu vou adorar dar uma lida no seu livro, agradeço a indicação! E volte sempre ao meu cantinho! ☺️💗🌹

      Curtido por 2 pessoas

  1. Oi Priscila, feliz aniversário (bem atrasado)!!!
    Fiquei boquiaberto! Como pode uma escritora tão madura contar com apenas 21 anos de idado!?
    Acompanho seu blog há pouco tempo. Mas a cada texto seu que leio, fico maravilhado.

    De fato, você é resultado do que viveu. E por isso, você é uma jovem escritora madura.

    Obrigado por compartilhar conosco.

    Segundo minha mãe, aniversário é todo dia. Por isso resolvi escrever esse comentário, mesmo bem atrasado.

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