Férias · Viagens

Sous le ciel de Paris

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Desde que saí da França estou com a intenção de escrever contando os detalhes sobre a minha recente experiência em Paris, a cidade luz, mas sempre me falta tempo, ou oportunidade ou energia (no final do dia, eu geralmente me jogo na cama de tão cansada). 

Não foi a minha primeira vez, não era uma turista de primeira viagem, talvez por conta disso eu tenha conseguido aproveitar melhor cada detalhe que Paris me ofereceu. Aconteceram tantas coisas nessa viagem que minha cabeça quase se prende em um nó tentando organizar todos os fatos. Para começar, conheci diversos lugares que ficaram faltando na minha primeira estadia, em 2016. Mas, ainda assim, não consegui ver tudo o que queria, o que significa que ainda estou com o gostinho de “quero mais” na boca.

Por pura sorte, ficamos em um hotel próximo da boulevard Saint-German, que, segundo o que meu tio explicou, seria o “coração” de Paris, o que explica nossa facilidade para chegar nos pontos turísticos. O hotel era muito perto da Catedral de Notre-Dame e de Saint-Michel, onde fica localizada a Université Paris-Sorbonne que tive a oportunidade de finalmente conhecer; local onde Claude Lévi-Strauss andou e pensou, e também onde Darcy Ribeiro foi consagrado como doutor honoris causa (e onde eu também pretendo estudar, quem sabe um dia?).

Eu disse para todo mundo que dessa vez eu conheci o estilo de vida francês de verdade. Bom, estava caminhando em direção à Champs-Élysées quando comecei a ver indícios de incineração no chão e vidros de estabelecimentos quebrados (de bancos mais especificamente). Eis que chego na avenida e está acontecendo uma manifestação dos “coletes amarelos”. Meu coração de futura jornalista quase explodiu de tanta felicidade. Me enfiei no meio dos manifestantes e fotografei algumas cenas que achei interessante. Para me retirar dali e seguir meu caminho, cheguei a ser revistada, pois os policiais estavam cercando os manifestantes. Talvez esse tenha sido o AUGE da minha vida, escutar os gilets jaunes gritando “MACRON DÉMISSION”. Ainda nessa vibe, quando cheguei na praça da Concórdia, não pude deixar de imaginar ela lotada nos tempos da revolução, com a famosa guilhotina instalada ali, coisa que também não aconteceu da primeira vez que visitei o local; talvez as manifestações atuais e o histórico revolucionário francês tenham despertado minha imaginação. 

 

Conheci o Musée d’Orsay, famoso por abrigar obras de grandes artistas. Enfrentei uma fila enorme mas tive a oportunidade de ver com meus próprios olhos obras de Van Gogh, Monet, Cézanne, Renoir, Rodin, Picasso, etc. 

No penúltimo dia, peguei um táxi para subir até a basílica de Sacré-Coeur, e enquanto estávamos parados no sinal, houve um pequeno acidente quando uma moto surge do nada e bate no táxi. Mas tudo acabou bem e o carro só sofreu um leve arranhão (e a gente nem isso, graças a Deus).

O grand finale da viagem foi a virada do ano, cujo cenário foi uma Champs-Élysées lotada e iluminada de ponta a ponta com luzes natalinas vermelhas e um Arco do Triunfo com projeções maravilhosas e importantes, como por exemplo, a Declaração Universal de Direitos Humanos (que me levou ao delírio) pois o tema desse ano foi “Fraternité”. Meu último jantar de 2018 foi em um restaurante que tinha a foto do Cavani indicando que ele também já havia comido lá (mais uma vez, o meu AUGE). Não fazia muito frio, consegui usar um vestidinho com meia calça e por coincidência, ou talvez porque nosso subconsciente nos atraia, no meio daquela multidão eu fui parar bem do lado de brasileiros (a gente se reconhece em qualquer lugar) que estavam muito animados e me fizeram rir bastante durante a contagem regressiva. 

Ainda parece um sonho, como se a ficha não tivesse caído. Nem acredito que eu estava lá, vendo de perto esse espetáculo. Posso dizer que, 2018 me proporcionou momentos maravilhosos, marcantes e intensos e que fez valer a minha promessa de recomeço. Agora, com a chegada de 2019, mais um ciclo foi fechado e eu finalmente estou conseguindo enxergar a vida de uma forma completamente diferente. Apesar de todos os obstáculos (no sentido político e econômico) que sei que iremos enfrentar, 2019 chega sorrindo para mim, me trazendo esperança e uma certa dose de empolgação. 

E sobre Paris, ah, o que dizer? Só agradecer e começar a planejar o nosso próximo encontro. 

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2 comentários em “Sous le ciel de Paris

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